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#acessibilidade Foto de uma vaca preta olhando para a câmera. Em sua orelha direita há uma etiqueta com números e código de barras. Ao fundo pode-se outras vacas.
Texto escrito pela colaboradora Gabriela Nascimento
O consumo de carnes está muito presente na nossa sociedade, porém junto com ele aparecem diversos problemas que às vezes não nos damos conta. A naturalidade com que se compra e se come carne atualmente faz com que às vezes seja esquecido ou até mesmo que não saibamos de onde vem esse alimento e muito menos como ele é produzido e chega até nós.
A criação de gado para abate cresceu muito nos últimos anos no Brasil, e esse fator tem ligação direta com o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, já que é preciso espaço para a criação desses animais e também para a plantação de grãos usados como alimentos. [1] Outro fator preocupante é a pegada hídrica da carne. Pegada hídrica é a quantidade de água que é usada para a fabricação de algum produto, segundo a Embrapa a média da pegada hídrica para a carne produzida no estado de São Paulo em 2017 é em média quase 6 mil litros de água para cada kg de carne bovina. [2]
Mais recentemente, com a pandemia do novo coronavírus, a relação do consumo de carnes (de forma geral) com o aparecimento de doenças voltou a ser comentada. Mas esse problema sempre existiu, um relatório da ONU de 2013 mostra que cerca de 70% das “novas” doenças em humanos tinham origem animal, sejam essas doenças vindas diretamente dos animais abatidos ou doenças que podem ser agravadas pelo consumo excessivo de carne. A questão da expansão dos pastos também contribui para o aparecimento de doenças, já que o gado entra em contato com animais selvagens. [3]
Todos esse pontos negativos em relação ao consumo de carne têm impacto direto na população e fizeram com que o número de pessoas vegetarianas crescesse muito nos últimos anos. Uma pesquisa feita pelo IBOPE inteligência e encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) mostra que em 2018 14% dos brasileiros se consideravam vegetarianos, um crescimento de 75% em relação a 2012. [4]
Devido à preocupação com o meio ambiente, os perigos à saúde causados pelo consumo de carnes e o aumento no número de pessoas vegetarianas foi preciso encontrar opções para substituir as fontes de proteínas animal. Algumas empresas, voltadas para o público vegetariano, já possuíam opções de proteínas vegetais a base de grãos. Porém, pensando em pessoas que ainda consomem carnes, mais recentemente, começaram as vendas de proteínas vegetais que possuem textura e gosto de carne, para atrair o público recém vegetariano e até mesmo pessoas que ainda consomem carnes, mas pensam em reduzir o consumo e/ou querem outras alternativas.
Hoje temos três tipos diferentes de “carnes do futuro”. As proteínas plant-based que são feitas a partir de vegetais e grãos. As carnes in vitro que são produzidas em laboratórios a partir de células animais, porém sem que ocorra o abate. E por último as proteínas impressas em impressoras 3D. Todos os tipos contam com muita inovação tecnológica e pesquisa e apresentam diversos prós e contras em relação a fabricação e consumo desses produtos.
As plant-based são as mais comuns, já é possível encontrar em supermercados e compondo cardápios de redes de fast-food e hamburguerias menores. O formato mais comum ainda é o hambúrguer, mas é possível encontrar proteínas que imitam nuggets, linguiças e salsichas. Um ponto muito criticado nesse processo é a questão da quantidade de sódio e do processamento necessário para que esse alimento seja produzido. Nutricionistas compararam marcas de hambúrgueres plant-based e convencionais, o resultado mostra quantidades parecidas de proteínas e de sódio, mas hambúrgueres convencionais são carnes ultra processadas não recomendadas para consumo constante. [5]
As carnes in vitro ainda estão em estudo e trazem com elas muitas polêmicas relacionadas à ética. Basicamente essas carnes são feitas em laboratórios a partir da multiplicação artificial de células. Na série de documentários “Explicando”, da Netflix, tem um episódio relacionado à esse assunto (veja aqui) e as pessoas apresentam uma certa resistência em substituir a carne convencional pela feita em laboratório. Além da questão ética, o preço para produção dessas carnes é muito alto, já que ainda estão sendo desenvolvidas pesquisas mais aprofundadas. Os principais pontos positivos são relacionados à ecologia, já que a pegada ecológica se torna menor, e ao bem estar dos animais, pois nessa opção não existe sofrimento. [6]
Uma nova técnica para produção de alternativas às carnes é a impressão das “carnes” a partir de impressoras 3D. A técnica é muito recente e ainda é preciso muito estudo e pesquisa acerca dela. Os pontos positivos são os mesmos buscados pelas outras técnicas: questão ecológica, bem estar animal e a questão relacionada à saúde pública. Os pontos negativos são de viés cultural e nutricional. A culinária, de forma geral, é uma das marcas que definem diferentes culturas e tradições, alimentos impressos (não só proteínas animais) não precisam do cozimento e da preparação, ao contrário dos alimentos in natura. Na questão nutricional esses alimentos não suprem as necessidades humanas, a não ser que seja preparado de forma personalizada para cada pessoa. [7]
Todas as técnicas apresentam prós e contras, assim como o consumo convencional da carne. O importante é o investimento em pesquisa para que seja possível uma produção limpa e saudável. Mesmo com todas alternativas a diminuição do consumo de carne é necessária tanto para saúde pessoal quanto para a saúde do meio ambiente. E aí? Depois de ler esse texto você está preparado para o futuro da carne?
Fontes:
Fonte da imagem destacada: Imagem de Alexas_Fotos por Pixabay
[1] AGÊNCIA BRASIL. Produção de carne afeta desmatamento na Amazônia, dizem especialistas. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-08/producao-de-carne-afeta-desmatamento-na-amazonia-dizem-especialistas. Acesso em 26 de agosto de 2020
[2] EMBRAPA. Estudos indicam pegada hídrica de bovinos em confinamento no Brasil. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/21518151/estudos-indicam-pegada-hidrica-de-bovinos-em-confinamento-no-brasil. Acesso em 26 de agosto de 2020
[3] NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Cerca de 70% de novas doenças que infectam seres humanos têm origem animal, alerta ONU. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2013/12/1460081-fao-70-das-novas-doencas-em-humanos-tiveram-origem-animal. Acesso em 26 de agosto de 2020
[4] SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA. Pesquisa do IBOPE aponta crescimento histórico no número de vegetarianos no Brasil. Disponível em: https://www.svb.org.br/2469-pesquisa-do-ibope-aponta-crescimento-historico-no-numero-de-vegetarianos-no-brasil. Acesso em: 25 de agosto de 2020
[5] REVISTA NUTRI ONLINE. A revolução da carne plant-based por Deilys Gonzalez. Disponível em: https://www.revistanutrionline.com/2019/10/03/4-hamburgueres-vegetais-que-voce-precisa-conhecer/. Acesso em 29 de agosto de 2020.
[6] VITAL, A. C. P. et al. Produção de carne in vitro: nova realidade da sociedade moderna. Portal Pubvet. Brasil, v. 11, n. 9, p. 840-946, set/2017.
[7] SUN, J.; PENG, Z.; ZHOU, W.; FUH, J. Y. H; HONG, G. S.; CHIU, A. A Review on 3D Printing for Customized Food Fabrication. In: Procedia Manufacturing, 2015, S. 308–19.
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#accesibilidad Foto de una vaca negra mirando a la cámara. En su oreja derecha hay una etiqueta con números y código de barras. Al fondo se ven otras vacas.
Texto escrito por la colaboradora Gabriela Nascimento
El consumo de carnes está muy presente en nuestra sociedad y junto con él surgen diversos problemas de los cuales a veces no nos damos cuenta. La naturalidad con la que se compra y se come carne actualmente, hace que a veces se olvide, o aún, que no sepamos de dónde viene este alimento y mucho menos cómo se produce y cómo llega hasta nosotros.
La cría de ganado para producción de carne creció mucho en Brasil en los últimos años, característica directamente relacionada con la deforestación en la Amazonía y la ecorregión del Cerrado, ya que son necesarios espacios para criar estos animales y para sembrar los granos usados en su alimentación. [1] Otro factor preocupante es la huella hídrica de la carne. La huella hídrica es la cantidad de agua usada en la fabricación de algún producto. Según la Embrapa, el promedio de la huella hídrica para la carne producida en el estado de São Paulo en 2017 es de alrededor de 6 mil litros de agua por kg de carne bovina. [2]
Recientemente, con la pandemia del nuevo coronavirus, la discusión sobre la relación del consumo de carne (de forma general), con el surgimiento de enfermedades, fue retomada, aunque ese problema siempre existió. Un informe de 2013 de la ONU muestra que aproximadamente el 70% de las nuevas enfermedades en humanos tenían origen animal, tanto las que vienen directamente de animales sacrificados como aquellas que pueden agravarse por el consumo excesivo de carne. La expansión de los terrenos para pastar también es un factor que contribuye con el surgimiento de enfermedades, ya que el ganado entra en contacto con animales salvajes. [3]
Todos estos aspectos negativos relacionados con el consumo de carne tienen impacto directo en la población e hicieron que el número de personas vegetarianas aumentara considerablemente en los últimos años. Una investigación hecha por el IBOPE (Instituto Brasilero de Opinión Pública y Estadística) y contratada por la Sociedad Vegetariana Brasileña (SVB) muestra que, en 2018, 14% de los brasileños se consideraba vegetarianos, cifra que creció 75% en relación con 2012. [4]
Debido a la preocupación con el medio ambiente, los riesgos a la salud causados por el consumo de carnes y el aumento del número de vegetarianos, fue necesario encontrar opciones para reemplazar las fuentes de proteína animal. Algunas empresas dirigidas al público vegetariano ya tenían opciones de proteínas vegetales a base de granos. Sin embargo, pensando en las personas que aún comen carne, recientemente se comenzó a vender proteínas vegetales con textura y sabor de carne, para atraer el público ‘principiante’ vegetariano, e incluso a personas que todavía consumían carne pero que pensaban reducir su consumo o buscaban otras alternativas.
Actualmente tenemos tres tipos diferentes de “carnes del futuro”. Las proteínas plant-based que son hechas a partir de vegetales y granos, las carnes in vitro que son producidas en laboratorios a partir de células animales, pero sin el sacrificio del animal, y por último las proteínas impresas en impresoras 3D. Todos estos tipos están asociados a una gran innovación tecnológica e investigación y tienen diversos pros y contras en su fabricación y consumo.
El tipo plant-based es el más común, ya es posible encontrarlo en supermercados y en los menús de cadenas de comidas rápidas y hamburgueserías más pequeñas. Una presentación que es todavía más común es la de hamburguesa, aunque es posible encontrar proteínas que imitan nuggets, chorizos y salchichas. Un aspecto muy criticado en este proceso es la cantidad de sodio y el procesamiento necesario para la producción del alimento. Una comparación de marcas de hamburguesas plant-based y convencionales, hecha por nutricionistas, mostró que había cantidades parecidas de proteínas y de sodio, aunque las hamburguesas convencionales están hechas de carnes ultra procesadas, no recomendadas para consumo constante.[5]
Las carnes in vitro todavía están en estudio y están asociadas a muchos cuestionamientos éticos. Básicamente estas carnes son hechas en laboratorios, a partir de la multiplicación artificial de células. En la serie de documentales “Explicando”, de Netflix, hay un episodio relacionado con este tema, donde las personas tienen una cierta resistencia a reemplazar la carne convencional por la fabricada en laboratorio. Además del aspecto ético, el costo de producción de esas carnes es muy alto, pues investigaciones más avanzadas están aún en desarrollo. Los principales puntos positivos están relacionados a la ecología, ya que la huella ecológica disminuye, así como mejora el bienestar de los animales, ya que con esta opción no existe sufrimiento. [6]
Una técnica nueva para la producción de alternativas a las carnes es la impresión de “carnes” usando impresoras 3D. Esta técnica es todavía muy reciente y requiere estudios e investigaciones. Los aspectos positivos son los mismos que buscan las otras técnicas y están relacionados a la salud pública, ecología y bienestar animal. Por otra parte, los aspectos negativos se relacionan más con la cultura y la nutrición, por ejemplo, en el caso de la culinaria, que, de manera general, es una actividad que define las diferentes culturas y tradiciones. En este caso, los alimentos impresos (no solamente las proteínas animales) no requieren cocción ni preparación, a diferencia de los alimentos in natura. Nutricionalmente, esos alimentos no suplen las necesidades humanas, a menos que se preparen de forma personalizada. [7]
Todas las técnicas tienen sus pros y contras, así como el consumo convencional de la carne. Lo importante es la inversión en investigación que posibilite una producción limpia y saludable. Aún con todas las alternativas, la disminución del consumo de carne es necesaria, tanto para la salud personal como para el medioambiente. Después de leer este texto, ¿estás preparado para el futuro de la carne?
Fuentes:
Fuente de la imagen destacada: Imagen de Alexas_Fotos por Pixabay
[1] AGÊNCIA BRASIL. Produção de carne afeta desmatamento na Amazônia, dizem especialistas. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-08/producao-de-carne-afeta-desmatamento-na-amazonia-dizem-especialistas. Acesso em 26 de agosto de 2020
[2] EMBRAPA. Estudos indicam pegada hídrica de bovinos em confinamento no Brasil. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/21518151/estudos-indicam-pegada-hidrica-de-bovinos-em-confinamento-no-brasil. Acesso em 26 de agosto de 2020
[3] NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Cerca de 70% de novas doenças que infectam seres humanos têm origem animal, alerta ONU. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2013/12/1460081-fao-70-das-novas-doencas-em-humanos-tiveram-origem-animal. Acesso em 26 de agosto de 2020
[4] SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA. Pesquisa do IBOPE aponta crescimento histórico no número de vegetarianos no Brasil. Disponível em: https://www.svb.org.br/2469-pesquisa-do-ibope-aponta-crescimento-historico-no-numero-de-vegetarianos-no-brasil. Acesso em: 25 de agosto de 2020
[5] REVISTA NUTRI ONLINE. A revolução da carne plant-based por Deilys Gonzalez. Disponível em: https://www.revistanutrionline.com/2019/10/03/4-hamburgueres-vegetais-que-voce-precisa-conhecer/. Acesso em 29 de agosto de 2020.
[6] VITAL, A. C. P. et al. Produção de carne in vitro: nova realidade da sociedade moderna. Portal Pubvet. Brasil, v. 11, n. 9, p. 840-946, set/2017.
[7] SUN, J.; PENG, Z.; ZHOU, W.; FUH, J. Y. H; HONG, G. S.; CHIU, A. A Review on 3D Printing for Customized Food Fabrication. In: Procedia Manufacturing, 2015, S. 308–19.
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