O que falam sobre os jovens no Brasil não é sério (V.2, N.11, P.3, 2019)

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Tempo de leitura: 4 minutos
#acessibilidade Parte da delegação brasileira durante a Intel ISEF 2019. São 21 pessoas vestidas com roupas formais, crachá de participação do evento pendurado no pescoço e com um deles segurando uma bandeira do Brasil no centro da foto.

É muito comum ouvir a expressão: “aahh os jovens de hoje em dia são muito diferentes, não respeitam ninguém, são preguiçosos” ou então “ah a geração perdida”. Bom, de fato há muitos exemplos no dia a dia que nos mostram jovens de más condutas, mas meu objetivo com este texto é mostrar que o futuro passa pelos jovens e precisamos confiar neles, para isso trarei alguns bons exemplo de jovens (muito jovens) cientistas brasileiros espalhados pelo país todo.

A história começa no município de Caculé, interior da Bahia, a 782 km de Salvador. A cidade se localiza numa região de clima semiárido quente e possui um período de seca que dura cerca de 6 meses, por isso economizar água potável é um problema central da região. Por lá, o estudante Sandro Lúcio Nascimento Rocha propôs uma solução muito interessante para este problema: ele construiu, na sua escola, uma caixa de água sustentável para captação da água da chuva. Esta caixa é construída com um cimento ecológico a base de fibra de coco e garrafas PET no lugar dos tijolos.

A cerca de 1300 km de lá, na cidade de Cedro – interior do Ceará -, o jovem Leonardo Silva de Oliveira criou um aplicativo baseado no sistema Android para auxiliar no monitoramento de ecossistemas aquáticos de maneira coletiva, onde os usuários podem informar ameaças a rios e mares como lixo, despejo de esgoto ou pesca excessiva.

O que esses jovens têm em comum? Além de ambos os trabalhos estarem ligados à preservação do meio ambiente, eles realizaram este trabalho ainda no ensino médio, estudando em escolas públicas de seus respectivos estados, Sandro no Colégio Estadual Norberto Fernades e Leonardo no Instituto Federal de Educação do Ceará. Além disso, ambos foram vencedores do Prêmio Jovem Cientista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de 2018. A primeira colocada do prêmio foi a jovem gaúcha Juliana Davoglio Estradioto, aluna do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul que desenvolveu um plástico biodegradável a partir da casca de Maracujá.

Juliana ainda foi além, participou da 17ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) de 2019, realizada na Universidade de São Paulo (USP), e lá ganhou o prêmio na categoria Ciências Agrárias. O trabalho apresentado era ligeiramente diferente do que levou a jovem a vencer o prêmio do CNPq: nesta feira ela apresentou uma técnica para reaproveitar resíduos agroindustriais da macadâmia também para produção de plásticos biodegradáveis.

Além da Juliana, mais 13 participantes da Febrace foram selecionados para disputar a Intel ISEF 2019, que é uma feira de ciências e engenharia para alunos que ainda não chegaram ao Ensino Superior. Ela foi realizada nos Estados Unidos, na cidade de Phoenix, Arizona. O Brasil contava com uma delegação de 29 estudantes e foi a 10ª equipe mais premiada da competição. O caso de Juliana é especialmente importante, pois ela ganhou vários outros prêmios internacionais e esse desempenho muito precoce fez com que ela fosse convidada a participar da Seminário Internacional de Jovens Cientistas de Estocolmo (SIYSS). Ao fim da semana do evento ocorreu a cerimônia de entrega do prêmio Nobel e a brasileira foi convidada a participar.

A Febrace que comentamos anteriormente é um evento que sempre une jovens talentos da ciência, muitas vezes eles são muito jovens mesmo. Um exemplo é Wictoria dos Santos, de 14 anos, que, utilizando-se da fibra de coco, desenvolveu painéis de isolamento acústico. Se você tem interesse em conhecer mais trabalhos feitos por jovens cientistas há o lugar perfeito para você: a revista Scientia Prima, que tem foco apenas em trabalhos desenvolvidos por pesquisadores que ainda não estão no ensino superior.

Em edições anteriores você pode encontrar trabalhos como de Lucas Cândido Marques que estudou a produção de etanol e biofertilizantes utilizando restos de alimentos. Incrível não é?

Espero que este texto tenha dado bastante esperança para você, querido leitor. A ciência e tecnologia têm papel essencial no desenvolvimento humano e nunca estará desvinculada da sociedade em que vivemos. Os jovens brasileiros formam uma massa de mentes muito talentosas, a maioria desses jovens talentos estão no ensino público e com o investimento certo podemos alcançar altos voos na ciência, pois a nossa matéria-prima humana é de alta qualidade.

Fontes:

Fonte da imagem destacada: FEBRACE

https://revistapesquisa.fapesp.br/2019/04/15/asas-para-a-curiosidade/

https://revistapesquisa.fapesp.br/2019/06/13/juliana-estradioto-futuro-no-presente/

https://jornal.usp.br/universidade/jovens-brasileiros-ganham-oito-premios-em-feira-de-ciencias-nos-eua/

http://www.jovemcientista.cnpq.br/

Para saber mais:

Vídeo “O Brasil na Intel ISEF 2019 (versão curta)” no canal da FEBRACE no YouTube

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