[:pb]Quando você corre quase tão rápido quanto a luz: o uso de analogias e metáforas (V.4, N.5, P.2, 2021)[:en]When you run almost as faster as light: the using of analogies and metaphors (V.4, N.5, P.2, 2021)[:]

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Tempo de leitura: 7 minutos

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#acessibilidade Oito corredoras, cada uma em uma raia olímpica. Sete delas nas marcas de largada e uma mais a frente, já correndo.

Você respira fundo. Está na posição, pronto para correr assim que o sinal tocar. Estádio cheio, todos esperando para ver você correr o mais rápido que puder e entregar o bastão para o próximo da sua equipe. O sinal parece soar. Não, precisa ser mais forte… ele soa. Você dispara em direção ao seu parceiro. Os gritos dos torcedores parecem renovar suas forças a cada momento. A única coisa que passa pela sua cabeça é passar o bastão o mais rápido possível. Você chega ao seu parceiro, o estádio se anima enquanto você entrega o bastão para ele, que corre em direção ao próximo da equipe. Você olha o marcador de tempo e sua corrida demorou menos de um milisegundo. Parabéns neurônio… espera. Achou que a história era sobre uma corrida de revezamento?

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Neurônios não correm, mas o modo como eles se comunicam é similar. O que ocorre é que eles recebem estímulos elétricos vindos de outros neurônios (sinal). Quando esses estímulos são fortes o bastante eles produzem uma nova corrente, um processo que chamamos de potencial de ação. Essa corrente segue até o final do neurônio, o terminal axonal, onde permite que algumas moléculas, os neurotransmissores (nossos bastões), sejam passados para um outro neurônio, criando um novo estímulo elétrico. Esse “passar o bastão” é chamado de sinapse.

Agora, imagina te explicarem que “impulsos elétricos suficientes para ultrapassar o limiar de excitação, geram correntes que se propagam pelo neurônio e permitem a liberação de neurotransmissores na fenda sináptica”. Difícil? Bem, foi disso que falamos até agora, mas não foi mais fácil entender quando comparamos com uma corrida? Essa comparação é o que chamamos de analogia.

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As aulas de ciência, em especial, têm usado diversas analogias para facilitar seu entendimento. Por exemplo, nas aulas de biologia você pode ter aprendido a relacionar os glóbulos brancos, que fazem parte do nosso sistema imunológico, a soldados, pois ambos combatem invasores, apesar das batalhas em trincheiras serem razoavelmente diferentes das em nossas veias e artérias. Na física, usamos a regra do saca rolha para saber o sentido de um campo magnético produzido por uma corrente, ou a analogia do gato dentro da caixa, para a física quântica, enquanto um aluno de química pode pensar que uma molécula tem medo da água para lembrar que é hidrofóbica.

Todas são estratégias que nos permitem entender conceitos complexos a partir de situações que já conhecemos bem e são utilizadas por muitos educadores e estudantes. E com razão. Um estudo de 1983 feito com grupos que precisavam solucionar um problema complicado (o tratamento de um tumor em um paciente que não podia passar por cirurgia ou tratamento com radiação intensa) mostrou que quando apresentadas analogias sem qualquer ligação com saúde, mas que pareciam com o problema, os participantes conseguiam solucioná-lo facilmente.

Há ainda uma figura de linguagem com uso similar ao das analogias: a metáfora. Experimentos de 2012 e 2019 mostraram que quando escutamos uma metáfora, por exemplo ”você é tão doce”, as áreas cerebrais relacionadas ao significado das palavras são ativadas. No caso, “doce” ativaria as áreas envolvidas com o paladar.

Vemos que o uso de analogias e metáforas tem relação com nossas sensações, revelando que as nossas experiências prévias nos ajudam constantemente a entender e solucionar problemas totalmente novos. Imaginamos, então, que quanto maior a diversidade de experiências, maior o número de pontos de vista que podemos ter sobre um mesmo problema. De fato, os conhecimentos são conectados entre si e usar essas conexões, de modo interdisciplinar, contribui para construirmos outros conhecimentos, formar novas conexões e estimular mais e mais nossos neurônios.

Fontes:

Fonte da imagem destacada: Imagem de Free-Photos por Pixabay

Fonte da imagem 1: LabXchange

Fonte da imagem 2: Imagem de Free-Photos por Pixabay

Gick, M. L., & Holyoak, K. J. (1983). Schema induction and analogical transfer. Cognitive Psychology, 15(1), 1–38. https://doi.org/10.1016/0010-0285(83)90002-6

Lacey S, Stilla R, Sathian K. Metaphorically feeling: comprehending textural metaphors activates somatosensory cortex. Brain Lang. 2012 Mar;120(3):416-21. doi: 10.1016/j.bandl.2011.12.016. Epub 2012 Feb 2. PMID: 22305051; PMCID: PMC3318916.
Disponível em: METAPHORICALLY FEELING: COMPREHENDING TEXTURAL METAPHORS ACTIVATES SOMATOSENSORY CORTEX (nih.gov)

Lai, Vicky Tzuyin & Howerton, Olivia & Desai, Rutvik. (2019). Concrete processing of action metaphors: Evidence from ERP. Brain Research. 1714. 10.1016/j.brainres.2019.03.005.

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#accessibility Eight runners, each on an Olympic streak. Seven of them at the start marks and one more ahead, already running.

You breathe deeply. In position, ready to run as soon as the sign rings. Full stadium, everybody’s waiting to see you run as fast as you can and give the baton to the next teammate. The sign seems to ring. No, it needs to sound louder… it rings. You start in pole position and run towards your partner. The cheers from the fans seem to renew your strength. The only thing that comes into your mind is to pass the racing baton as quickly as possible. You arrive in your partner spot, the stadium liven up while you hand over the baston to him, that runs toward the next in your team. You look at the time pointer and your running time was less than a millisecond. Congratulations neuron…wait. Did you think that this story was about a relay race?

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Neurons don’t run, but the way in which they communicate among themselves is similar. What happens is that they receive electrical stimulus originated from other neurons (sign). When these stimuli are strong enough, they fire a new electrical discharge, a process that we called action potential. This discharge flows to the final part of the neuron, the axon terminal, where it allows some molecules, the neurotransmitters (our batons), been passed to other neurons, it creates a new electrical stimulus. This “pass the baton” is called synapse.

Now, can you imagine someone trying to explain to you that “enough electrical stimuli, which exceed the excitation threshold, will generate discharges which spread through the neuron in order to allow the neurotransmitters’ flow to another cell”. Hard, isn’t it? Well, it was what we were talking about, but it wasn’t easier when we compared it to a race? This comparison is what we called analogy.

saca rolhas - [:pb]Quando você corre quase tão rápido quanto a luz: o uso de analogias e metáforas (V.4, N.5, P.2, 2021)[:en]When you run almost as faster as light: the using of analogies and metaphors (V.4, N.5, P.2, 2021)[:]

Science classes, mainly, have used a bunch of analogies to easy up the explanation. For example, in your biology class you might have learnt to relate white blood cells to soldiers, because both fight with invaders, even though trench warfares are quite different from the ones in our veins and arteries. In Physics, we used to use the right hand rule to identify the direction originated from an electrical discharge, or the analogy of the cat in the box, to quantum physics, while a chemistry student can think of a molecule which has fear of water to remember that it’s hydrophobic.

All these are strategies that allow us to understand complex concepts through well-known situations and they are used by a lot of students and teachers. And rightly so. A research of 1983 done with groups that needed to solve a complicated problem (the treatment of a tumor for a patient who couldn’t do a surgery or treatment that used intense radiation) showed us that when it was present analogies without any relation with heath, but that looked like the problem, the participants could solve the problem more easily.

There is, also, a figure of speech similar to analogies: the metaphor. Experiments of 2012 and 1019 showed that when we listen to a metaphor, for example “you is so sweet”, brain regions relationed to the meaning of the words are activated. In this case “sweet” would activate the areas involved with our taste.

We see that the use of analogies and metaphors has relation to our sensations, revealing that our previous experiences help us constantly to understand and solve completely new problems. We can imagine, then, that the more experience diversity we have, the more the number of viewpoints we can have about the same problem. In fact, our pieces of knowledge are linked to each other and if we use these connections, in an interdisciplinary approach, they will help us to build new knowledge, new connections and to stimulate more and more our neurons.

Sources:

Featured image: Image from Free-Photos by Pixabay

Image 1: LabXchange

Image 2: Image from Free-Photos by Pixabay

Gick, M. L., & Holyoak, K. J. (1983). Schema induction and analogical transfer. Cognitive Psychology, 15(1), 1–38. https://doi.org/10.1016/0010-0285(83)90002-6

Lacey S, Stilla R, Sathian K. Metaphorically feeling: comprehending textural metaphors activates somatosensory cortex. Brain Lang. 2012 Mar;120(3):416-21. doi: 10.1016/j.bandl.2011.12.016. Epub 2012 Feb 2. PMID: 22305051; PMCID: PMC3318916. Disponível em: METAPHORICALLY FEELING: COMPREHENDING TEXTURAL METAPHORS ACTIVATES SOMATOSENSORY CORTEX (nih.gov)

Lai, Vicky Tzuyin & Howerton, Olivia & Desai, Rutvik. (2019). Concrete processing of action metaphors: Evidence from ERP. Brain Research. 1714. 10.1016/j.brainres.2019.03.005.

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