Muito além de Mona Lisa, 500 anos de da Vinci (V.2, N.5, P.1, 2019)

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Tempo de leitura: 4 minutos
#acessibilidade Provável autorretrato de da Vinci já idoso, calvo, mas com longos cabelos e com uma longa barba.

Texto escrito pelos colaboradores Pedro Henrique Thiayamiti Santos e João Henrique Quintino Palhares

Quando lhe perguntam sobre Leonardo da Vinci qual a sua primeira lembrança?

Provavelmente suas obras mais famosas como a “Mona Lisa” e a “A Última Ceia”? Ou até mesmo um pouco mais obscuro, o homem vitruviano? Mas, você sabia que a obra de arte mais cara avaliada atualmente, “Salvator Mundi”, também é creditada a este gênio do século XV?

Muitos devem ter visto filmes ou séries como “O sorriso de Mona Lisa” e “O código da Vinci”, algo menos noticiado é como da Vinci atuou em diversos outros campos além das artes plásticas. Suas realizações no âmbito tecnológico se reduzem a alguns programas no Discovery Channel que tentam reproduzir/executar os projetos descritos em seus cadernos, além de uma breve aparição no filme “Para sempre Cinderela” (ele é a fada madrinha que ao invés de usar magia usava tecnologia) e numa série de ficção científica, “Da Vinci’s Demon”.

Mesmo com a ciência atual, alguns comportamentos de da Vinci ainda são apenas especulações, existem diversas hipóteses de que da Vinci tinha características peculiares que talvez permitiram-no desenvolver suas obras de forma criativa e única, como por exemplo ser canhoto e disléxico, o que lhe forneceu uma perspectiva singular e influenciou na sua forma de pintar. Uma façanha curiosa é que seus trabalhos eram escritos da direita para esquerda e, quem sabe, isso não era uma forma de criptografia para proteger seus projetos?

Agora imagine-se numa época na qual a divisão social é bem forte e ser um filho bastardo lhe impede de ter várias oportunidades de se viver com dignidade, da Vinci demonstrou uma incrível adaptação ao contexto cultural da época, por impressionar membros da família Médici e conseguir um patrocínio sob um regime conhecido por mecenato/patronato, que permitiu a sua “ascensão social”. Sob a proteção da família Médici, da Vinci se tornou um dos maiores símbolos renascentistas italianos. Daí a importância de encarar a ciência e o conhecimento como um investimento e não uma despesa. Da Vinci poderia não ter contribuído o tanto que contribuiu para a humanidade e para a sociedade italiana sem o acolhimento da família Médici. Claro que nada é de graça e a família Médici atuou como a DARPA – órgão militar americano responsável pelo financiamento em pesquisa e desenvolvimento, famoso por criação de tecnologia a princípio de interesse bélico, mas que depois foi adaptado e liberado para a sociedade, como por exemplo a internet – exigindo de da Vinci a utilização de seu intelecto para desenvolvimento de artefatos bélicos que permitiram a manutenção e expansão do domínio sobre a região de Florença.

A percepção visual aguçada de da Vinci e sua habilidade artística permitiram que boa parte das suas invenções, ideias e abstrações fossem transmitidas durantes todos esses anos. Como muitos dizem: “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Muitas delas serviram como fonte de inspiração para pessoas de várias áreas do conhecimento. Podemos citar alguns exemplos, como o desenvolvimento de projetos de arquitetura urbanística, muitos dos quais são elogiados e estudados até hoje por arquitetos e estudiosos da área. Cerca de quatro séculos depois de um esboço de da Vinci o engenheiro russo Igor Sikorsky construiu o primeiro modelo de helicóptero capaz de alçar voo. Da Vinci era como Ícaro e sonhava em voar, por esse motivo dedicou bastante tempo no estudo/desenvolvimento de objetos que permitiriam alcançar os céus, como o equipamento de medição da velocidade do vento (anemômetro), o modelo de asa delta reproduzindo asa de pássaros (ornitóptero) e um protótipo do paraquedas. Leonardo também foi um pioneiro na ciência biomimética, a área do conhecimento que estuda formas de reproduzir o comportamento da natureza. Com seu conhecimento em mecânica e em anatomia (estima-se que da Vinci tenha dissecado cerca de 30 corpos) da Vinci desenvolveu um projeto que chamamos hoje de robô, ao qual ele deu o nome de cavaleiro.

Impulsionados por ideias visionárias como as de da Vinci cientistas e engenheiros desenvolvem hoje em dia robôs capazes de realizar cirurgias e carros autônomos. Um fato interessante é que seu conhecimento de mecânica lhe induziu a aprimorar o princípio do rolamento, essencial para o funcionamento de várias máquinas. Todas essas contribuições carregadas por séculos provam que Leonardo foi uma pessoa a frente de seu tempo. Muito além de “Mona Lisa”, todo esse conhecimento espalhado em diversas áreas, muito além do que foi dito aqui, da arte à engenharia, deveria ser lembrado por todos, não apenas hoje, data na qual completa-se quinhentos anos de sua morte.

E aí, gostou? Quer conhecer um pouco mais sobre o Leo? Então acessa o site da COPPE, eles estão promovendo um evento em homenagem a ele, vale a pena conferir.

Fontes:

Fonte da imagem destacada: Leonardo da Vinci [Public domain], via Wikimedia Commons

http://www.leonardo-da-vinci.net/architecture/

https://leonartodavinci.weebly.com/medical-impact.html

West, J. B. Leonardo da Vinci: engineer, bioengineer, anatomist, and artist. American Physiological Society, 2017. https://doi.org/10.1152/ajplung.00378.2016

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