#acessibilidade: Imagem aérea de uma floresta densa com copas de árvores em diversos tons de verde. A vegetação cobre toda a paisagem, transmitindo uma sensação de natureza viva e exuberante.
Texto escrito pela colaboradora Sofia Brogliato Martani
“Tenho a impressão de que a maioria das pessoas não percebe a real importância das plantas para a vida humana.” – Stefano Mancuso
Já parou para pensar sobre como nós, seres humanos, entendemos a ideia de vida? Memória, aprendizagem, evolução, são exemplos de conceitos normalmente relacionados ao mundo animal, seja no estudo da biologia ou no próprio senso comum. Mas e se pensarmos nas plantas, afinal, elas também são seres vivos, extremamente variados e abundantes no planeta, além de essenciais para a nossa sobrevivência na Terra.
Com discussões como essa, o botânico italiano Stefano Mancuso, especialista em neurobiologia vegetal, nos entrega um dos livros de divulgação científica mais envolventes de se ler. O texto nos propõe soluções para problemas tecnológicos, sociais, políticos a partir de mecanismos encontrados no mundo vegetal, na estrutura e funcionamento de plantas, desafiando-nos a enxergar possibilidades além daquelas centradas no ser humano e na visão de progresso distante da natureza, tão perpetuada.
Com uma linguagem simples, leve e divertida, o livro é dividido em nove capítulos, cada um tratando sobre algum tópico em específico, nos apresentando pesquisas, história, experiências de vida do autor além de críticas inteligentes ao atual desenvolvimento científico e tecnológico. Em 2018, o autor recebeu o XII Prêmio Galileo de escrita literária de divulgação científica pelo livro.
Plantas simples, como a Mimosa pudica, conhecida como dormideira, são as estrelas do primeiro capítulo, que trata sobre a memória das plantas. Sim! Isso mesmo. Estudos mostram que plantas apresentam capacidade de aprendizagem, logo, também memória, apesar dos mecanismos ainda não serem claros, pois afinal, são seres vivos que não possuem um cérebro.
Durante os capítulos seguintes essa ideia continua sendo abordada, principalmente para tratar sobre o sistema de comando descentralizado das plantas, que diferente do cérebro dos animais, que funciona como um centro de comando único, se parece mais com um “trabalho em grupo” realizado pelas diversas estruturas presentes em um único organismo vegetal. Descobertas como essas estão possibilitando novos avanços na engenharia, por exemplo, com abordagens bioinspiradas para a construção de robôs que simulam o funcionamento das raízes das plantas.
Se você gosta de história e arquitetura, o capítulo sete será seu favorito! O autor aborda diversos projetos arquitetônicos que se inspiraram nas estruturas vegetais para solucionar problemas modernos. Além disso, é impossível não citar o caso da nossa Vitória-Régia (Victoria amazonica), que no século XIX se tornou extremamente popular na Europa, dando início a uma corrida entre botânicos e arquitetos da época para a construção de estufas capazes de simular o ambiente amazônico e permitir a sobrevivência e floração da espécie em jardins botânicos da elite. Suas características estruturais, suas folhas resistentes cheias de nervuras, foram inclusive inspiração para o projeto que foi sede da primeira Exposição Mundial, em Londres (1851).
Além do passado, o livro também nos apresenta propostas para o futuro. Desde a possibilidade de cultivar plantas em ausência de gravidade (com um relato incrível do autor sobre o experimento que realizou em conjunto com a ESA), até módulos para a produção de plantas no oceano, utilizando água salgada e energia renovável! Também temos o capítulo “Democracias Verdes”, com reflexões sobre o que o mundo vegetal tem a nos ensinar sobre uma sociedade mais democrática, justa e alinhada com a natureza.
“Revolução das Plantas” consegue trazer novos debates para o meio de divulgação científica, trazendo assuntos necessários para pensarmos no valor das plantas no nosso cotidiano e no nosso futuro, como devemos proteger nosso planeta e biodiversidade se quisermos progredir como sociedade, além de reavaliarmos nosso próprio conceito de “progresso”.
No Brasil, outros três títulos foram publicados, “A Incrível Viagem das Plantas”, “A Planta do Mundo” e “Nação das Plantas”, todos pela editora Ubu.
Fontes
MANCUSO, Stefano. Revolução das plantas: um novo modelo para o futuro. São Paulo: Ubu Editora, 2019. 192 p. (Veja em https://www.ubueditora.com.br/revolucao-das-plantas.html)
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