#acessibilidade: Imagem apresenta escultura da representação da morte para a mitologia grega, Tânatos, também reinterpretado na psicologia de Freud sob o conceito de pulsão de morte.
Texto escrito pelo colaborador Igor Espindola de Almeida
A ciência não consegue estabelecer, por falta de evidências, o que há, ou se há algo, após a morte, mas podemos chegar bem próximos, no que chamamos de estudos de experiências de quase morte (Near Death Experiences).
Os relatos já são conhecidos pelo senso comum: uma luz, uma sensação de túnel, de saída do corpo, encontro com outras pessoas e mudança de vida, caso a pessoa continue viva. Mas como poderíamos entender tais eventos de forma científica? Tente pensar um pouco como você faria um estudo desses.
Dentre os mais comuns, no campo das neurociências, se coloca equipamentos de eletroencefalograma (EEG) em pacientes, a fim de registrar os sinais elétricos produzidos no encéfalo no momento da (quase) morte. Assim, podemos entender quais áreas são ativadas e com qual intensidade.
Por exemplo, sabemos que estímulos ou lesões em uma área específicas (junção temporoparietal) está relacionada com experiências de se sentir fora do próprio corpo e que a atividade elétrica no momento da morte, em alguns casos, se assemelha ao momento REM do sono (quando costumam ocorrer os sonhos).
Mas, primeiro, porquê pensar que os processos biológicos são parecidos em qualquer humano? Podemos dizer que os relatos indicados no início deste texto foram coletados em diferentes culturas e se repetiram ao longo de séculos. Com isso, seria estranho pensar que algo tão comum também não poderia ter uma explicação biológica.
Nesse meio, podemos pensar nas diferentes narrativas sobre a morte que surgem em cada cultura e como ideias parecidas, como a presença de um acompanhante até o “lugar” após a morte (Tânatos, Caronte, Anúbis, Anjos, Shinigami) se mantêm com certas diferenças.
Estudos nessa área podem ajudar no diagnóstico de doadores de órgãos quando há morte cerebral do doador, visto que podemos entender melhor por quanto tempo há atividade neural após uma parada cardíaca.
Compreender quais sinais indicam um quadro irreversível para a perda de atividade neural também nos ajudam a diferenciar a morte de comas e estados vegetativos e poder dizer quando há ou não consciência. Isto é, se a consciência estiver realmente no cérebro, mas isso é papo para outra hora.
O fato é que, em uma sociedade onde a morte se tornou algo privado (ex. não se faz mais velório nas casas), onde se evita falar de morte a qualquer custo, sendo um tabu frente a demanda por produtividade, o tópico ainda levanta nosso fascínio, medo e curiosidade. Que as evidências científicas possam nos ajudar a entender mais a morte para, talvez, darmos mais valor à vida.
Fontes:
Fonte da imagem destacada: https://lamenteesmaravillosa.com/el-mito-de-tanatos-dios-de-la-muerte/
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