Quando a química brilha: a luz que nasce das moléculas (V.9, N.6, P.2, 2026)

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Tempo de leitura: 4 minutos
#acessibilidade: A imagem apresenta um fundo escuro com diversos tubos finos coloridos esparramados por cima. Esses tubos são usados como pulseiras em festas.

Texto escrito pelos colaboradores Brenda Fany Rodrigues, Débora Assumpção Cunha Amoroso, Gustavo Moreira e Silva, Lucas Ribeiro Saraiva

como parte de uma atividade avaliativa da pós-graduação da Universidade Federal do ABC (UFABC), na disciplina Química Integrada, sob orientação dos professores Janaina de Souza Garcia e Camilo Andrea Angelucci.

Quando pensamos em luz, normalmente pensamos  em lâmpadas,  fogo e até mesmo luz solar, certo? Mas já pensou que dá pra produzir luz sem eletricidade e sem fogo? Isso ocorre na quimiluminescência: uma reação química que libera energia na forma de luz! 

Mas pera aí… você deve estar se perguntando: o que é uma reação química e como assim, temos a formação de luz? Para isso, vamos voltar ao tempo em que você era uma criança: talvez você se lembre de um estereótipo de cientista maluco dentro de um laboratório, um senhorzinho de jaleco misturando o conteúdo de vários frascos que resultam em cores diferentes. O que você conseguia ver, por exemplo, era uma solução transparente se tornando azul após a mistura dos líquidos. O que estava acontecendo ali, na verdade, é o que chamamos de reação química, e a mudança de coloração é apenas uma das evidências que temos de que de fato está acontecendo a reação. 

Agora, vamos pensar em outro tipo de evidência de que está ocorrendo uma reação química… a melhor de todas, A EMISSÃO DE LUZ! Mas como isso acontece? Imagine que você está assistindo televisão, e então, aquele programa de investigação criminal começa a passar e a equipe forense começa seu trabalho: o local já havia sido limpo, sem vestígios aparentes, então a equipe diminui a iluminação do espaço do crime e se inicia a busca pelos possíveis vestígios, entrando em cena a quimiluminescência! Nesse caso, o nosso protagonista é o luminol, uma substância que é utilizada em lugares estratégicos para entrar em contato com regiões que possam ter resquícios de sangue, que podem aparecer mesmo após terem sido limpas. Quando eles entram em contato, a reação acontece e o que podemos ver é a liberação de energia em forma de luz azul, colaborando com as evidências do caso.

Mas as atuações da quimiluminescência não param por aí. Você já reparou nas pulseiras de festa que brilham no escuro, mais conhecidas como pulseiras neon? Dentro delas, as moléculas são como parceiros de dança esperando o momento certo para se encontrar. No início, cada um está separado, quieto em seu canto. Mas quando você dobra a pulseira, a “quebra” gera uma reação que permite que esses parceiros finalmente se encontrem e a dança começa! Ao se reorganizarem nessa dança química, eles liberam energia. A diferença é que, em vez de produzir calor como quando acendemos um fósforo, essa energia é liberada na forma de luz. Temos então uma dança de moléculas que gera luz! Podemos concordar que a quimiluminescência é um fenômeno? Suas aplicações vão de investigações forenses, testes imunológicos e até mesmo entretenimento, um espetáculo químico que merece seus holofotes. 

A química da luz não para por aí; ainda temos mais alguns fenômenos de emissão de luz, conhecidos por luminescência, que ocorrem por diferentes mecanismos: fluorescência, fosforescência e bioluminescência. A fluorescência e a fosforescência ocorrem por meio de mecanismos parecidos e sua principal diferença está no tempo em que a luz é emitida. Por exemplo, sabe a água tônica que você bebe? Ela tem em sua composição o quinino, uma molécula capaz de emitir luz por fluorescência! Então, se você colocar uma luz UV num copo de água tônica, você vai ver uma luz azul! Quanto à fosforescência, ela pode ser encontrada nos mais diferentes objetos: aquela estrela que você colou no teto do seu quarto quando criança, que brilhava a noite toda, contém uma substância chamada sulfeto de zinco ou aluminato de estrôncio, que armazena a energia da luz do dia e a emite gradualmente. Outro exemplo, são as placas de sinalização de trânsito e também de emergência que precisam ser visíveis em qualquer situação ou horário do dia. Por fim, a bioluminescência é um processo que tem produção de luz através de reações químicas que ocorrem em organismos vivos! Seu  exemplo mais clássico pode ser visto facilmente na natureza: o vagalume! A luz do vagalume é emitida quando uma molécula de uma substância conhecida como luciferina reage com uma enzima e alguns outros ingredientes, assim, gerando luz, num processo muito parecido com a quimiluminescência!

Vemos então que a emissão de luz está muito mais presente na química do que imaginamos. Entre moléculas e organismos que brilham no escuro, percebemos que existem muitas maneiras de transformar energia em luz e todas são igualmente fascinantes. Compreender esses tipos de luminescência é compreender como a energia transita, muda de forma e se manifesta como brilho, nos laboratórios e na vida, e nos mostra que o mundo é muito mais luminoso do que nossos olhos conseguem perceber. Explorar como a matéria brilha é também explorar a natureza, sempre capaz de iluminar até os lugares mais escuros. Acabou de ler o texto com um sorriso de  iluminar a sala?

Fontes:

Fonte da imagem destacada: https://br.freepik.com/fotos-gratis/tubos-de-neon-coloridos-em-fundo-escuro_2886696.htm

BARTOLONI, F. H. et al. Química Nova, v. 34, n. 3, p. 544-554, 2011. DOI:10.1590/s0100-40422011000300030.

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SOARES, O.J.C. et al. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 17, p. e126111738997, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i17.38997.

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