#acessibilidade: Uma ilustração do Sol no espaço, brilhando em laranja ao centro de uma imensidão escura.
Texto escrito pela colaboradora Lívia Souza
Você já ouviu falar em manchas solares, aquelas “manchinhas” escuras que aparecem na superfície do Sol? Apesar de pequenas à primeira vista, elas são gigantes em tamanho, algumas maiores que a própria Terra, e de importância para o entendimento do funcionamento do Sol. Mas o que são exatamente e por que devemos nos importar com elas?
As manchas solares são regiões na superfície do Sol onde o calor não consegue chegar com facilidade. Isso acontece porque o Sol é feito de plasma, um gás eletricamente carregado que cria campos magnéticos complexos. Quando essas linhas magnéticas se torcem e se enroscam, elas bloqueiam parte do calor que vem do interior da estrela. O resultado? Uma área mais fria e escura, que chamamos de mancha solar. Enquanto a fotosfera do Sol brilha a cerca de 5.500°C, o centro dessas manchas está em torno de 3.300 °C. Temperatura menor, comprimento de onda diferente, ou seja, cor diferente e assim surge o contraste que vemos como “mancha”.
As manchas solares são sinais visíveis de atividade magnética intensa. Elas costumam aparecer em grupos, formando o que os cientistas chamam de regiões ativas, locais onde o campo magnético é tão forte que pode gerar erupções solares (flares), que liberam energia em forma de radiação, e ejeções de massa coronal (tempestades solares), explosões de partículas carregadas que se espalham pelo espaço. Quando essas partículas chegam à Terra, interagem com o nosso campo magnético e podem causar efeitos variados: desde auroras boreais e austrais até interferências em satélites, telecomunicações e redes de energia elétrica.

Portanto, as manchas solares não são apenas pontos “escuros”, mas pontos visíveis de alguns dos fenômenos solares mais impactantes para o nosso planeta.
Ciclo Solar
As manchas solares não aparecem de forma aleatória, elas seguem um padrão que chamamos de ciclo solar, que dura em média 11 anos. Esse ciclo é marcado pela variação do número de manchas visíveis na superfície do Sol, que nos permite identificar em qual fase no ciclo estamos. Nos períodos de máximo solar, as manchas se multiplicam e o Sol apresenta maior atividade magnética, com mais erupções e ejeções de massa coronal. Já no mínimo solar, quase não há manchas visíveis, e a estrela entra em uma fase de relativa calmaria.
No início de cada ciclo, as primeiras manchas surgem em regiões mais distantes do equador solar, em latitudes mais altas. Com o passar dos anos, novas manchas aparecem cada vez mais próximas do equador, criando no gráfico um desenho curioso que lembra asas de borboleta, o chamado “diagrama borboleta” onde cada “asa” corresponde à distribuição das manchas ao longo de um ciclo. É por meio dele que os cientistas conseguem identificar em que fase do ciclo estamos.

Atualmente, vivemos o Ciclo Solar 25, iniciado em dezembro de 2019. Em outubro de 2024, a NOAA e a NASA anunciaram que o Sol atingiu o período de máximo solar. Durante este período, a frequência de manchas solares e, consequentemente, de erupções e ejeções de massa coronal, permanece elevada. Isso se traduz em maior chance auroras intensas em regiões próximas aos pólos, mas também em maior risco de distúrbios em satélites, telecomunicações e redes de energia. Depois dessa fase máxima, é esperado que o Sol entre em um declínio gradual até atingir um novo mínimo, previsto por volta de 2030.

Impactos na Terra
Essa atividade solar pode afetar diretamente a vida aqui na Terra. Quando o Sol libera grandes quantidades de partículas e radiação, nosso campo magnético funciona como um escudo, desviando a maior parte dessa energia. Mas, em momentos de maior intensidade, parte dessas partículas penetra na atmosfera, criando fenômenos como as auroras boreais e austrais que iluminam os céus próximos aos polos.
Além disso, essas tempestades podem trazer desafios para a tecnologia que usamos todos os dias. Satélites podem sofrer danos ou perder temporariamente o contato, sistemas de GPS ficam menos precisos e até mesmo redes elétricas podem sofrer sobrecargas. Em casos extremos, uma tempestade solar poderia causar apagões em larga escala ou comprometer sistemas de comunicação essenciais.
Portanto, estudar os impactos da atividade solar nos ajuda a nos preparar melhor. Hoje, monitorar o Sol em tempo real é fundamental para prever tempestades solares e minimizar seus efeitos. Assim, a ciência não só nos ajuda a entender melhor a nossa estrela, mas também a proteger a infraestrutura que sustenta a nossa vida moderna aqui na Terra
Fontes:
Figura 1: https://super.abril.com.br/especiais/a-era-de-ouro-das-pesquisas-sobre-o-sol/. Acesso: 21/09/2025.
Figura 2: https://astro.web.uma.pt/Investigacao/Astro/Grupo/Sextas_astronomicas/Sexta14/sexta14.htm. Acesso: 21/09/2025.
Figura 3: https://svs.gsfc.nasa.gov/14683. Acesso: 18/11/2025.
https://science.nasa.gov/sun/sunspots/
https://super.abril.com.br/especiais/a-era-de-ouro-das-pesquisas-sobre-o-sol/
https://www.esa.int/Space_in_Member_States/Portugal/O_ciclo_solar
https://astro.web.uma.pt/Investigacao/Astro/Grupo/Sextas_astronomicas/Sexta14/sexta14.htm
Para saber mais:
The Solar Cycle As Seen From Space – YouTube


