Baterias de celular viciam? A ciência explica! (V.9, N.2, P.2, 2026)

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Tempo de leitura: 4 minutos
#acessibilidade: Uma pessoa segura um smartphone branco com a tela mostrando o ícone de bateria quase vazia em vermelho e a palavra “Charging…”. O telefone está conectado a um cabo de carregamento branco. A mão da pessoa aparece em primeiro plano, apoiada sobre o colo, onde se vê parte de uma calça jeans azul. O ambiente é iluminado suavemente, sugerindo um local interno ou um veículo. Fonte: Freepik – Close-up de mãos carregando o celular.

Texto escrito pelos colaboradores Wanessa Jorcemina Martins Mendes; Francisca Maria de Oliveira Costa Silva e Amanda Andrade Dos Santos

Você já parou para pensar em como o seu celular consegue funcionar por horas, alimentando telas brilhantes, câmeras poderosas e aplicativos que parecem não ter fim? A resposta está em um pequeno milagre químico que carregamos no bolso todos os dias: a bateria de íons de lítio. 

Essas baterias se tornaram o coração da tecnologia moderna. Estão em celulares, notebooks, fones de ouvido e até em carros elétricos. Mas, afinal, como elas funcionam? Dentro de cada bateria há duas regiões diferentes: uma chamada ânodo, que tem elétrons sobrando, e outra chamada cátodo, que precisa desses elétrons. Separando as duas partes, há uma espécie de líquido ou gel chamado eletrólito, que permite o fluxo de partículas entre elas. Quando você liga o celular, os elétrons saem do ânodo e viajam por um circuito externo até o cátodo, gerando a corrente elétrica que alimenta o aparelho. É a química transformada em energia. 

Durante o carregamento, esse processo se inverte: o carregador fornece energia para empurrar os íons de lítio de volta ao ânodo, onde eles ficam “armazenados”, prontos para serem liberados novamente quando o celular entrar em uso. Esse movimento de ida e volta acontece milhares de vezes ao longo da vida útil do aparelho — mas não para sempre. Com o tempo, a estrutura interna da bateria começa a se desgastar, e os ciclos de carga e descarga se tornam menos eficientes. 

Antigamente, falava-se muito em “bateria viciada”. Esse termo vem de um problema real que existia nas baterias de Níquel-Cádmio (NiCd), comuns em aparelhos antigos. Elas sofriam do chamado “efeito memória”: se fossem recarregadas antes de estarem quase totalmente descarregadas, passavam a “lembrar” aquele ponto e reduziam a capacidade total de armazenamento de energia. Por isso, era comum recomendar deixar o aparelho descarregar completamente antes de carregar de novo. 

Mas esse conselho ficou no passado. As baterias modernas de íons de lítio não sofrem desse efeito. Elas são muito mais estáveis e eficientes. No entanto, elas envelhecem quimicamente, e é aí que mora o verdadeiro problema. Dentro da bateria, com o tempo, pequenas reações indesejadas degradam o eletrólito e formam depósitos microscópicos nos eletrodos, o que dificulta a movimentação dos íons. É como se o “caminho” por onde a energia circula fosse ficando entupido. Isso faz com que a carga dure menos, o celular aqueça com mais facilidade e o desempenho caia.

 Felizmente, há formas simples e eficazes de prolongar a vida da sua bateria. O primeiro passo é evitar extremos: nem carregar até 100% o tempo todo, nem deixar descarregar completamente. As baterias de lítio preferem trabalhar em uma “zona de conforto”, entre 20% e 80% de carga. Outra dica é manter o celular longe do calor excessivo, pois o calor acelera as reações químicas que envelhecem a bateria. Também vale evitar deixá-lo carregando a noite toda, já que após atingir 100%, a bateria fica recebendo pequenas recargas que, em longo prazo, podem desgastá-la. E não menos importante: use carregadores originais ou certificados. Um carregador de baixa qualidade pode fornecer tensão irregular e danificar os circuitos internos da bateria. 

Cuidar da bateria é, na verdade, cuidar da química invisível que move o seu mundo digital. Com bons hábitos, ela pode durar anos mantendo o fôlego de quando era nova. 

E agora que você sabe o que realmente acontece dentro dela, fica a pergunta: qual desses hábitos você põe em prática e qual está encurtando a vida da sua bateria sem você perceber?

Fontes:

BATTERY UNIVERSITY. BU-808: How to Prolong Lithium-ion Batteries. Cadex Electronics. Disponível em: https://batteryuniversity.com. Acesso em: 03 nov. 2025.

GOODENOUGH, J. B.; PARK, K.-S. The Li-Ion Rechargeable Battery: A Perspective. Journal of the American Chemical Society, v. 135, n. 4, p. 1167–1176, 2013.

KEIL, P.; JOSSEN, A. Charging protocols for lithium-ion batteries and their impact on cycle life. Journal of The Electrochemical Society, 2017.

Para saber mais:

SAMSUMG ELECTRONICS. Galaxy Battery Care Guide. Disponível em: https://www.samsung.com. Acesso em: 19 nov. 2025.

APPLE INC. About Optimized Battery Charging in iOS. Disponível em: https://support.apple.com. Acesso em: 19 nov. 2025

Cybertrucks sonham com lama digital? – pt.1 Minerais (V.8, N.3, P.3, 2025)

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